Por Ramatis Russo

Carta

Carta

As folhas da carta de vinho vem e vão em sentidos descompassados, os olhos dão voltas como caça-níqueis tentando encontrar um porto seguro, focar um nome conhecido ou um preço cabível sem demonstrar o desconforto diante da companhia. Para piorar o cenário, aparece a figura do sommelier – com seu saca-rolhas cromado e sua desenvoltura orgulhosa fazendo um “style” em um terno diferente dos demais maîtres, com seus pins condecorativos -, causando quase que um infarto no já debilitado cliente.

É triste quando isso acontece, pois acaba por distanciar mais e mais o consumidor do produto – que, na verdade, foi feito para harmonizar e não segregar – e tornando o momento que deveria ser agradável em um grande calvário.

Não tenha medo do sommelier

Pode parecer assustador no primeiro momento a presença do sommelier ou a escolha de um vinho na carta do restaurante, mas nossa indicação, humilde, é: procurem ouvir o profissional da área. Converse com ele e tente espremer toda informação que considerar necessária para tornar o seu momento mais harmônico possível. Ele esta lá para ajudar-lo e não causar-lhe constrangimento, apesar de algumas vezes arrotar nomes e termos complicados.

Na maioria das vezes, ele foi o responsável pela elaboração da carta de vinhos do estabelecimento, analisando o mercado global e suas tendências – principalmente a gastronomia regional – e vai procurar orientá-lo da melhor maneira possível, diante, é claro, de suas especificações.

Dê informações precisas

Para tornar o trabalho do sommelier mais fácil e, consequentemente, alcançar a satisfação na escolha adequada, a melhor maneira de conseguir o que procura seria por meio das informações que você deve passar ao profissional:

1- Estou disposto a pagar um valor X.
2- Com a uva tal (varietal) ou as tais uvas (assemblagem).
3- Do país X ou da região X.

Lembre-se do fator: harmonização do prato

Melhor ainda seria pedir a indicação do profissional diante do prato escolhido, deixando-o com liberdade para decidir qual será a surpresa do dia. Mas, caso você queira decidir por conta própria, existem algumas regras básicas para harmonização como: prato leve com vinho leve, prato de médio corpo com vinho de médio corpo e prato estruturado com vinho estruturado. Pratos com gordura e tendência ao doce pedem acidez e efervescência nos vinhos. Untuosidade e suculência convidam ao álcool e taninos. Picância com ácido aromático (comida tailandesa e indiana) solicitam maciez com aroma e perfume.

De qualquer forma, lembre-se sempre de seguir o seu gosto e suas preferências, pois, no fim das contas, quem vai ter o prazer e pagar por aquilo é você e mais ninguém.

Alerta aos preços

Procure estar um pouco informado sobre os preços em revistas especializadas ou catálogos dos importadores, mesmo sabendo que os restaurantes trabalham com uma margem de 50% a 100% sobre o preço ao consumidor final. Isso devido aos custos empregados, como o serviço, armazenamento, taça etc. Alertamos para isso para você saber se não esta sendo “roubado”.

Acabou? Peça outro

Pode acontecer de o vinho pedido ter acabado e você ter de mudar de rótulo. É nessa hora que o sommelier vai mostrar a sua competência tentando substituí-lo à altura, apresentando um novo vinho e a oportunidade única de aumentar o seu leque de conhecimento ante uma nova experiência.

Sommelier de bom caráter

Lembre-se também do risco que existe de uma importadora se aproveitar da força e influência para “empurrar” rótulos diversos goela abaixo do sommelier, aliciando-o com viagens e/ ou preços e descontos sedutores, incorporando nomes desconhecidos em seu portfólio. No entanto, cabe ao bom profissional mostrar seu caráter e índole nesses momentos focando o seu trabalho na satisfação e alegria do consumidor, praticando preços justos e mostrando sensibilidade para apresentar as melhores opções levando em conta seu próprio gosto e dos clientes.

Os momentos para apreciar um bom vinho serão muitos, os rótulos a serem degustados mais ainda e os sommeliers então…