A partir de hoje passo, com muito orgulho, a escrever sobre charutos neste blog. Prima facie a tarefa me afigura espinhosa, dado ao alcance da comunicação em rede, e a dificuldade de identificar os leitores. Leigos, curiosos e, até mesmos, especialistas no assunto poderão defrontar com os textos. Sendo assim, vou me limitar, com parcimônia, a relatos comezinhos, tornando a leitura aprazível a todos, independentemente do nível de conhecimento acerca do tema.

Nada melhor para se iniciar no prazer da degustação de um charuto, que conhecer a planta do tabaco. Com nome científico Nicotiana Tabacum, essa planta pertence à família das Solanáceas, onde também fazem parte da mesma família importantes culturas agrícolas, como o tomate, pimentão, jiló, batatinha, pimenta e muitas outras plantas. Ela pode possuir até trinta folhas e pode alcançar até três metros de altura. Para uma melhor classificação das folhas, a planta do tabaco possui três principais áreas: a parte de baixo, que chama-se “Livre Pé”, e produz folhas com sabor leve e ligeiramente aromáticas; a parte do meio, que se chama de “Centro Pé”, que produz folhas com aroma de média intensidade, bem equilibradas; e a parte de cima, que chama-se de “Corona”, onde produz folhas de sabor e aroma encorpados. Após o corte, a planta se revigora e nasce um novo caule. Por isso, dependendo da saúde da planta, pode haver até 5 cortes.

Todo charuto, em sua construção, possui três principais partes: o filler, o capote e a capa. A parte central é chamada de filler, ou enchimento, e é onde se encontram a maior parte das folhas. Ele pode ser feito com folhas picadas (Short filler) ou com folhas inteiras (Long filler), que são os charutos de boa qualidade. O enchimento é enrolado por uma folha, chamada de Capote. É ela a responsável por manter o formato arredondado do charuto. Após aproximadamente quinze dias de secagem, acrescentasse a última parte do charuto: a Capa. Para tanto, devem ser utilizadas as folhas mais perfeitas, pois é através da capa que fazemos o primeiro contato com o charuto. Como sinais de qualidade, a capa deve ter uma cor uniforme, sem borrões ou veias salientes, contudo, iremos falar mais da construção do charuto no próximo encontro. Até lá e obrigado.

Fabrício Caetano Vaz