Caros amigos:
Gostaria de colocar aqui minha opinião sobre este “novo” costume que é a arte da degustação de vinhos. Digo novo, pois até bem pouco tempo atrás não tínhamos este costume enraizado entre as nossas preferências, já que a “loira gelada” é a unanimidade entre os milhões de consumidores nacionais. A abertura dos mercados, a melhoria das relações comerciais e a estabilidade econômica que estamos desfrutando, permitiu ao consumidor brasileiro uma oportunidade única de experimentar excelentes vinhos de todos os cantos do mundo a preços convidativos. E é aí que entra o “enochato”. Este cidadão, normalmente com o cabelo muito bem cortado e com gel, barba feita, camisa abotoada até o último botão da gola, sapato bem engraxado, se apresenta aos colegas como um exíminio conhecedor da “fermentação alcóolica da fruta oriunda da Vitis Vinífera Européia, já que a a Vitis Vinífera Americana não produz vinhos com padrões internacionais”, inibindo ou mesmo chateando os colegas com os seus conhecimentos oriundos da leitura de uma coluna de sexta-feira de um jornal local. Para beber vinho, não é preciso destes conhecimentos. Basta a vontade de se reunir com dois ou mais e desfrutar de momentos de alegria, satisfação e porque não dizer, de cometer os “pecados da gula”. A nossa grande vantagem em relação aos demais mercados é a de que como não temos tradição vitivinícola, principlamente a de produção de vinhos tintos, podemos degustar uma ampla carta de vinhos, de diferentes países do mundo, sem culpa alguma de falar mal de um ou de outro. O enochato certamente vai preferir os vinhos do velho mundo, garrafas de Bordeux, Borgonha ou mesmo os Chianti. Claro, são excelentes vinhos, mas temos a oportunidade de beber ótimos vinhos provenientes do cone sul e termos momentos de estupenda satisfação sem a necessitar identificar todos aromas e sabores oriundos deste vinhos, tais como notas herbáceas e frutas silvestres?! O enochato acaba atrapalhando, demonstrando soberba em relação aos seus pares e avinagrando a reunião.
Portanto, se vais degustar alguma garrafa, escolha sem culpa, convide alguns amigos e apenas identifique o prazer de estar em boa companhia. Saudações Boavistianas!

Julho 23, 2007 at 2:09 pm
Sensacional o texto! Esse tipo de enólogo é o mais fácil de se encontrar por aí!
Março 1, 2008 at 3:19 pm
Olá
Gostei do texto. Eu criei uma cruzada contra eles. Este ano iniciei um blog http://www.enochatos.com.br que d´´a dicas simples para os que gostam ou querem apreciar Vinhos, e espantar os enochatos.
Abs,
Claudio
claudio@enochatos.com.br
P.S. Estou colocando um link do seu artigo no meu blog
Janeiro 9, 2009 at 6:34 pm
Vinho, um dos poucos alimentos que se consome em etapas:
1. Com o olhos: apreciá-lo é satisfatório
2. Com o nariz: seu aroma é único
3. E finalmente com a boca: o paladar…ahhhh como é relaxante pensar nesta sequência. Ihh, mais uma forma: a lembrança do vinho já é por si só um prazer.